sábado, 7 de fevereiro de 2015

Longas cartas pra ninguém XI

Essa carta é sobre perder, o que de melhor nós fazemos nesta vida? O que é mais fácil quê?

Aquela coisa esquisita na soleira da porta é nosso amor?
Acho que não te conheço mais. Acho que existe uma espécie de parede entre nós. E nosso único vínculo é uma corrente guia, mas somos cego guiando cego.
Aquela coisa esquisita na soleira da porta, escorrendo pelas paredes, negra como infiltrações, são nosso amor? São uma espécie de cola vencida, ou veias rompidas?
Você perambula pela sua própria terra, anda com roupas e caras diferentes por aí. De mendigos, de assassinos, de malucos, de escorrias da pior espécie. Você joga um jogo sujo comigo onde o objetivo é que eu não saiba mais que é você. Muito menos quem sou eu. Você tem sido o cativeiro dos sonhos. A culpa não é toda sua, é quase toda minha, eu suponho.
Revirar a cabeça a noite. Colocar a cabeça nas mãos. As mãos nos joelhos. Procurar por toda minha razão. Freud morreu, Nietzsche morreu, Marx morreu, e eu já não me sinto muito bem.
Lá fora, nas tempestuosas colinas, há um ceifador chegando para levar o nosso amor.
Coração mais sem cuidado, fez arrebentar um amor tão delicado, que corria em veias mansas de lençóis prateados. Como se algum amor fosse feito de cimento.

Sabe que quem nunca amou não merece ser amado? Quem não pede perdão não é nunca perdoado?

Tudo era desespero, o que ela me disse foi: pare de gritar. Há alguém na porta.
Era uma batida realmente estrondosa.


P.S. não era uma carta de amor, era uma conto de terror.

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Finais são bençãos ambivalentes.