sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Longas cartas pra ninguém IX

Meus olhos ardem, por favor alguém apague as luzes. Escrevo com os olhos em chama por que a poesia clama.
Eu não tenho paz. Não uso mais droga; meditação, autodestruição, Yoga. Nada disso me satisfaz. 
Faço terapia, paro de fumar, paro de beber.
Vidinha besta.
Controlando o sal.
Vidinha furreca.
Me livrando do açúcar.
Vidinha chinfrim.
Uh!
Vidinha de merda.
O lance é o nocivo e necessário. Sou um aperto de mão de monóxido de carbono. Não sou uma vida tranquila dentro do aquário.
Vivo pelos cantos feito bicho, mas em uma bela casa, com belo jardim. Eu to um lixo. Eu to sim. Só a antropofagia nos une! Eu prefiro comer os pedaços do inimigo e me sentir um herói. Eu prefiro me matar a cada dia ativamente, do que esperar que a vida me mate passivamente.
E qual o preço da independência? Qual o preço da felicidade? Pois não seria viver sozinho? Se nascemos todos sós, e morremos todos sós.
Ontem sonhei que comprava Coca-Cola com um casco de Pepsi.
Ontem eu senti que sentirei sua falta. Eu não sinto inveja, ciúmes, eu não desejo que seja de outro jeito para você. Mas você era minha única companhia de ser como eu sou. Você, você nunca falava de amor. Achei que você era a única que nem eu. Aquele momento tão banal, que parece durar uma eternidade, é tão fácil de esquecer, que você já esqueceu. O momento em que se acredita que não nunca teremos outro tipo de amor. E de outras coisas eu queria ser como você. Te admiro. Te miro. E te erro.
Este momento que dura uma eternidade: querer viver de arte.
A gente não quer só comida, e comida com pouco sal, pra cuidar do coração. A gente quer comida e amor e diversão. A gente não quer só comida a gente quer saber, e quer estar em paz, e quer companhia, e quer viver bem e ser saudável, e ser estável, e quando a gente percebe que não pode ter de tudo, a gente quer saída para qualquer parte.
Eu ergo minhas mão para o céu por curiosidade.
Algumas coisas eu faço por dinheiro, outras pela liberdade.
Beijo da morte, beijo da vida, cada minuto é um instante de partida.

Mas agora eu preciso de escuro, alguém por favor corta essa luz.

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Finais são bençãos ambivalentes.