quinta-feira, 1 de maio de 2008

Desire

Estranho como faço isso noite a noite, semana a semana, sem nem saber porquê. Só pra me exibir, respirar, torcer por algo novo... não sei. Só saio, ponho os pés a andar pra fora de casa, encontrar conhecidos, beber, fumar, mas nada demais, conversas, engraçadas, mas nada demais, nada que se possa prever, por isso, nada que não se possa passar sem. Uma sorte. E a felicidade de um homem se consiste também na sorte, no acaso, sabemos.

Então enfim voltar sozinho pra casa, se antes de todos irem embora pensando em um motivo pra isso, ao invés de ficar, e vice –versa (um motivo pra ficar ao invés de ir).

Só sei que nessas idas de volta à casa havia muito o que pensar, assim como antes de dormir. Ter sempre de pensar nessas dúvidas, que assolam a vida de um humano, mas mais ainda de um humano tão assumido. Não sei o que pensam os outros humanos, os menos instruídos, menos interessantes, menos inteligentes, menos, menos, menos ou até mais que eu, só sei que o que eu pensava estava chegando ali, bem na minha frente. Claro que não me espantei, pensar nessa pessoa e de repente ela aparecer, se eu podia pensar nela a cada meia hora do dia sem me cansar. Nem também me surpreendia a sorte de ela estar sozinha. Apenas um acaso da nossa amiga, a sorte. O que me impressionava era que eu não estava sentindo algo. Sim, era algo que faltava, não que estava presente! Não sei o que deve espantar mais um homem, mas isso é questão de ocasião. E nessa ocasião faltava algo, muito que me conhecido. Era um pensamento, um ligeiro, ligeiríssimo e vago pensamento que me impelia a tentar calcular nos segundos que se passariam até que nos topássemos, o que iria eu fazer. Então podiam se formular nesses poucos segundos muitas alternativas, e o cérebro ficaria exitando em escolher uma delas. Podemos ver então como a mente é rápida. E naquele momento ela estava calma, se concentrava em mandar oxigênio pra todas as células, sangue também, e tudo mais que seu cérebro faz sempre mesmo enquanto está te atormentando com lembranças e desejos. Nem sequer cogitou acender um cigarro! Essa inatividade me pasmou. E ela não parou, e a calma continuava. A calma não calma. Persistia. E lá ela vinha. Estatura mediana, olhos escuros, pele clara, cabelos cacheados, também escuros, belas formas, tudo formando um lindo, o mais lindo conjunto... que eu já conheci muito bem. Que eu sei muito bem como eu queria realmente é que acelerasse aquele passo e corresse direto pros meus braços...

A minha surpresa só não era maior, acho, porque ela tinha atingido um limite naquele momento; surpresa tem limite? Espero que sim. A minha teve naquele momento. Ela acelerou o passo, abriu os braços, e me envolveu em um abraço sufocante. Um abraço quente, cheio de amor e desejo, ainda assim terno como o sono na hora de desespero. Que a tanto tempo eu não sentia. O abraço, não o sono. Ela me beijou, no rosto, no pescoço, nos lábios. Foi mais carinhosa do que qualquer mente pudesse imaginar...

E em seus olhos, que não eram os que eu sempre conheci eu li que era pra eu não me surpreender, nem nada dizer. Só que nesse momento, eu me desgarrei dela, eu tinha entendido tudo. E me prostrei a pensar! Sim, de novo, a pensar no que fazer, mas pensamento com torrente de fala, como o pior pensamento desesperado deve ser.

_ Sinceramente, seu... seu...horrendo, traíra, maldito, amado, idolatrado, não posso te perder. Nojento! Queria te matar! Era isso que eu queria! Mas como eu poderia viver sem saber se você está certo em existir ou não? – eu ia começar a chorar - o que eu faço agora, que te tenho frente a frente? O que faço? Aliás, o que posso fazer? Posso te levar pra cama? Posso te surrar e te deixar sangrando até morrer aqui?

Numa voz tão doce e abrangente, a resposta passou por cada célula do meu corpo como perfume.

_ É por isso que eu vim.

Decidi finalmente me entregar a ela, ou ele, sabendo eu quem realmente estava ali na minha frente. Me abracei ao seu corpo, quanta saudade, e fomos pra minha casa. Eu decidi que faria de tudo que pudesse até onde pudesse com ela. Sim, mataria a saudade de seu corpo, de seus beijos, de toda sua doçura e delícia. E depois a mataria. E quem sabe botasse fogo em seu corpo.

Acontece que na manhã seguinte ela não acordou ao meu lado. Acontece que não tive nem nunca mais terei essa chance de novo, de matá-la.

E todos vocês, humanos, podem até ter a chance, mas não conseguirão matar seu desejo. Sim, Desejo. Ela/Ela é sua obsessão, seu amor, uma das coisas que te mantém vivo, por isso, ainda que se apresente a você, será só por prazer em lhe zombar, pra zombar de sua impotência perante ele. Tenho uma faca, muito linda e afiada que comprei logo no dia seguinte, e guardo no cano alto de minha bota quando saio, pra no caso de se ele me aparecer de novo, em carne e osso, escárnio e ternura, eu lhe enfie ela na barriga. Mas espero, com muito vigor, ver ele mesmo, um dia, pulando de um prédio ou coisa similar que lhe faça morrer por si mesmo.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008



Ok, agora falando sério, crianças, Alguém já parou de se perguntar quem fez o mundo pra perguntar o mundo foi feito pra quem? Pra ninguém. Implicarão com você se você for negro, mas se for muito branco também, se for gordo, mas se for muito magro também, se for baixo, mas se for muito alto também, se não for estudioso, mas se for muito também. Atacarão sua suas escolhas como imorais e como se fossem ameaças a sociedade, sua (falta de) religião, sua opção sexual, sua estética, seu modo de pensar, com quem você andar, quem você quer amar. Mas uma coisa é certa, não importa, realmente não importa quem você seja, o que importa é que esteja sobre controle, que ande na direção do gado e dance conforme a música. Caras crianças... vocês estão sendo controladas. Obrigado.

Vomitado por Gustáve Caligari 2:20 28/01/2008
Finais são bençãos ambivalentes.